Operação Mãos à Obra Revela Corrupção em Sinop: Promotora Detalha Esquema de Propina e Irregularidades
A promotora de Justiça Roberta Cheregatti Sanches apresentou detalhes sobre a segunda fase da Operação Mãos à Obra, que investiga um esquema de corrupção na secretaria de Planejamento Urbano e Habitação de Sinop, com prisões de servidores públicos e empresários.
Nesta quarta-feira (28), a promotora de Justiça Roberta Cheregatti Sanches anunciou os resultados da segunda fase da Operação Mãos à Obra, que desvendou um esquema de corrupção na secretaria de Planejamento Urbano e Habitação de Sinop. As investigações revelaram indícios de que servidores públicos estariam exigindo propinas para acelerar processos administrativos e aprovar projetos de construção irregulares.
O delegado Getúlio Daniel enfatizou que as irregularidades identificadas podem ter causado sérios prejuízos à administração pública e à população, comprometendo a segurança e as condições de moradia em edificações fora das normas urbanísticas. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, sendo três direcionados a servidores públicos: Valdinei Monteiro da Silva, Fernando Dante Morari e Júlio Henrique Verdu Garcia, além de dois empresários do setor da construção civil.
As ações também incluíram buscas e apreensões, o afastamento de seis servidores de suas funções e o bloqueio de R$ 80 milhões em bens e valores relacionados aos investigados. Roberta Cheregatti destacou que a investigação se intensificou após a obtenção de informações sobre servidores que exigiam dinheiro para acelerar processos e aprovar obras, com dados que remontam a um inquérito policial iniciado em 2019.
“Neste ano, recebemos informações sobre servidores da Prodeurbs que estavam se aproveitando de suas posições para exigir valores em troca da celeridade em processos de autorização de obras e habite-se na secretaria de Urbanismo”, explicou. A promotora também ressaltou que a análise das movimentações financeiras dos servidores foi crucial para aprofundar as apurações, embora tenha reconhecido que a ocultação de recursos ilícitos poderia dificultar a identificação de todos os envolvidos.
Um dos focos da investigação é uma construtora local, cujos proprietários formam um casal. O Ministério Público identificou que a empresa teria estabelecido um esquema com servidores para facilitar a conclusão de construções, principalmente kitnets, que apresentavam irregularidades. Até o momento, foram relacionados 106 imóveis irregulares, em pleno funcionamento em diversos bairros de Sinop.
Roberta revelou que os proprietários da construtora pagaram aproximadamente R$ 2,5 milhões em propinas para garantir benefícios nos procedimentos administrativos. Um dos servidores investigados teria atuado como intermediário, distribuindo valores a outros funcionários para evitar fiscalização nas obras.
Além das prisões, a Justiça autorizou o afastamento de servidores, o bloqueio de bens e a suspensão das atividades da empresa investigada. A recuperação dos recursos obtidos ilegalmente é uma prioridade do Ministério Público, conforme a promotora. “Fazer justiça não é apenas prender, mas também reter os bens que motivaram a prática do crime de corrupção”, afirmou.
Roberta também destacou que os crimes cometidos por servidores públicos podem gerar consequências em diversas esferas, não apenas na criminal, mas também em procedimentos administrativos e ações de improbidade administrativa. O delegado Getúlio Daniel ressaltou que as investigações revelaram que as irregularidades estavam arraigadas na rotina de parte do setor público, impactando o atendimento à população que dependia dos serviços da secretaria.







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