Em 10 meses, Barra do Garças gastou mais de R$ 8,7 milhões com pacientes de municípios vizinhos
O valor considera o custo real dos procedimentos com base na multiplicação pelo fator 6,55 em relação à Tabela SUS. Os dados são do DATASUS e se referem ao período de janeiro a outubro de 2025.
Jessé Santos | Secom-BG
A cidade de Barra do Garças, há muitos anos, atua como polo regional de educação, comércio e, principalmente, de Saúde. Além de atender sua própria população, o município absorve a demanda de cidades vizinhas e até de outros estados, o que gera impacto direto nas contas públicas.
Entre janeiro e outubro de 2025, o valor real desembolsado exclusivamente com atendimentos a pacientes de outros municípios chegou a R$ 8.732.898,91. O município que mais onerou a rede de saúde de Barra do Garças foi Nova Xavantina, com custo de R$ 2.140.310,10, seguido por Pontal do Araguaia (R$ 1.816.195,00), General Carneiro (R$ 1.237.556,35) e Araguaiana (R$ 1.099.281,00).
Os dados demonstram que, mesmo sendo um hospital municipal, Barra do Garças exerce função regional na assistência de média e alta complexidade. Dos 1.011 partos realizados em 2025, 253 (cerca de 25%) foram de moradoras de outras cidades. Nas cirurgias, dos 3.512 procedimentos realizados, 988 (aproximadamente 28%) foram destinados a pacientes de municípios vizinhos.
Além disso, a situação é agravada pelo subfinanciamento estrutural da Saúde. O hospital municipal recebe cerca de R$ 800 mil mensais para custeio, valor que precisa cobrir todas as despesas operacionais, exceto folha de pagamento. No entanto, o custo real da unidade gira em torno de R$ 4 milhões por mês.
O financiamento permanece vinculado à Tabela SUS, reconhecidamente defasada. Como exemplo, uma consulta ortopédica é remunerada em cerca de R$ 10, enquanto o custo real ao município se aproxima de R$ 200. Essa diferença é estrutural e recorrente, obrigando o município a complementar os valores com recursos próprios.
De acordo com a Secretaria Municipal de Finanças de Barra do Garças, cerca de 30% de toda a arrecadação municipal é destinada à Saúde, o que equivale a aproximadamente R$ 48 milhões por ano. Parte significativa desse montante é consumida pelo atendimento à população regional, pressionando o orçamento local e comprometendo investimentos em outras áreas essenciais.
Veja a tabela abaixo:
Déficit gerado por atendimentosde outros municípios(jan–out/2025) |
|
|
Município |
Déficit causado por cada município (R$) |
|
Nova Xavantina |
– 2.140.310,10 |
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Pontal do Araguaia |
– 1.816.195,00 |
|
General Carneiro |
– 1.237.556,35 |
|
Araguaiana |
– 1.099.281,00 |
|
Novo São Joaquim |
– 993.475,70 |
|
Ribeirãozinho |
– 650.702,87 |
|
Ponte Branca |
– 470.434,62 |
|
Torixoréu |
– 324.943,27 |
|
Campinápolis |
– 261.424,84 |
|
Total |
– 8.732.898,91 |
Fonte: DATASUS; PPI SES-MT; Portaria nº 0200/2024/GBSES; TABWIN.

















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