Casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave começam a cair após cinco meses de alta no Brasil

Boletim da Fiocruz aponta redução das internações por VSR e influenza, mas cenário ainda preocupa em diversos estados.

Casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave começam a cair após cinco meses de alta no Brasil
Foto: Reprodução

Semana 7 com Brasil 61

 

Após quase cinco meses consecutivos de aumento, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) começaram a apresentar sinais de queda no Brasil. A informação consta na mais recente edição do Boletim InfoGripe, divulgada nesta quinta-feira (9) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

De acordo com o levantamento, a redução nacional é impulsionada principalmente pela desaceleração das internações provocadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR) e pela diminuição das hospitalizações por influenza A e influenza B. Apesar da tendência de queda, a Fiocruz ressalta que o número de casos graves ainda é considerado elevado em boa parte do país.

O boletim aponta que seis estados permanecem em situação de alerta, risco ou alto risco para SRAG com tendência de crescimento no longo prazo: Amazonas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina.

Situação nos estados

Segundo a Fiocruz, os casos associados ao vírus sincicial respiratório continuam em crescimento em todos os estados da Região Sul, além de Minas Gerais, São Paulo e Roraima. Nas demais unidades da federação, o cenário já apresenta estabilização ou redução.

Em relação à influenza A, o período de maior circulação do vírus já passou na maior parte do país. Ainda assim, Acre, Minas Gerais, Paraná, Roraima e São Paulo continuam registrando níveis elevados de casos graves, embora com tendência de queda.

Já a influenza B mantém crescimento em estados do Centro-Sul, como Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, por outro lado, já apresentam sinais de estabilização ou início de redução.

No Amazonas, a Fiocruz observa aumento dos casos de SRAG entre idosos, cenário que pode estar relacionado ao crescimento das internações por Covid-19.

Capitais em alerta

O levantamento também identifica nove capitais brasileiras com níveis de alerta, risco ou alto risco para SRAG e tendência de crescimento no longo prazo: Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Manaus (AM), Palmas (TO), Porto Alegre (RS) e Rio Branco (AC).

Em Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, o aumento das internações está concentrado principalmente entre crianças de até quatro anos. Rio Branco registra crescimento entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Já Belo Horizonte, Florianópolis, Manaus e Rio Branco também apresentam aumento das hospitalizações entre idosos.

Fiocruz reforça medidas de prevenção

Mesmo com a desaceleração dos casos, a Fiocruz recomenda que a população mantenha os cuidados para reduzir a transmissão dos vírus respiratórios. Entre as principais orientações estão:

  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar;

  • Lavar as mãos frequentemente;

  • Permanecer em isolamento ao apresentar sintomas gripais;

  • Utilizar máscara caso seja necessário sair de casa durante o período de sintomas;

  • Manter a vacinação em dia, especialmente entre crianças, idosos e demais grupos de risco.
    Vírus mais frequentes

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, o vírus sincicial respiratório foi responsável pela maior parte dos casos positivos de SRAG, representando 55,9% das ocorrências. Em seguida aparecem o rinovírus (23,3%), influenza A (12,7%), influenza B (8,4%) e o Sars-CoV-2, causador da Covid-19 (2,2%).

Entre os óbitos registrados, a influenza A respondeu por 33,1% dos casos positivos, seguida por rinovírus (26,3%), VSR (21,7%), influenza B (15,4%) e Covid-19 (6,9%).

Os dados do InfoGripe têm como base as notificações registradas no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), atualizadas até 4 de julho, referentes à Semana Epidemiológica 26.