Setembro Amarelo: A Importância de Ouvir e Valorizar a Vida
Setembro é o mês da campanha Setembro Amarelo, que visa conscientizar sobre a prevenção do suicídio e a importância de cuidar da saúde mental. Virginia Mendes destaca a necessidade de escutar o outro e acolher quem enfrenta dificuldades emocionais.
O mês de setembro é um marco no Brasil, sendo conhecido como Setembro Amarelo, uma campanha dedicada à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida. Mais do que uma simples reflexão, essa iniciativa nos convida a olhar com atenção para aqueles que estão ao nosso redor, promovendo a escuta sem julgamentos e a compreensão de que buscar ajuda é um sinal de força, não de fraqueza.
A depressão e a ansiedade afetam cada vez mais pessoas, muitas vezes de maneira invisível. Um sorriso pode esconder uma dor profunda que a pessoa não consegue compartilhar. Pessoalmente, já vivenciei a depressão e compreendo a dor que isso acarreta, especialmente quando se sente incompreendido, seja na família ou no trabalho.
A rotina agitada do dia a dia pode impedir que as pessoas parem para ouvir umas às outras. Contudo, em muitos casos, o que alguém realmente precisa é ser ouvido. Com isso em mente, criei o programa SER Família, que vai além da vulnerabilidade social e se preocupa também com o bem-estar emocional das famílias. O projeto SER Família Fé e Vida, desenvolvido em colaboração com o Padre Fábio de Melo, levou eventos a sete municípios, incluindo Cuiabá, onde milhares de famílias puderam vivenciar momentos de fé, esperança e acolhimento.
Acredito que a fé é uma fonte de força, mas cuidar da saúde mental requer informação, acolhimento e, quando necessário, suporte profissional. É fundamental criar espaços de diálogo sobre saúde mental, onde as pessoas possam expressar seus sentimentos e perceber que não estão sozinhas. Devemos acolher aqueles que atravessam momentos difíceis, incentivando a busca por ajuda e combatendo o estigma que ainda cerca os transtornos mentais e o suicídio.
No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia. Procurar ajuda é um ato de coragem e pode ser um passo crucial para superar o sofrimento.
Defendo também a importância da prevenção antes que a dor se torne insuportável. Uma das minhas propostas é o Projeto de Lei “Escuta Preventiva”, que visa criar uma política federal para a identificação precoce do sofrimento emocional. A proposta busca estabelecer um protocolo nacional de acolhimento e encaminhamento para aqueles que apresentem sinais de sofrimento psicológico, com a intenção de ouvir antes que a crise se instale.
Não podemos esperar que alguém esteja no limite para perceber que precisa de ajuda. Muitas vezes, é no auge da dor que a pessoa, desesperada, pode tomar decisões irreversíveis. Portanto, o cuidado deve ser uma prática diária, não restrita ao mês de setembro. Devemos estar atentos às mudanças de comportamento, às palavras, ao silêncio e até ao sorriso que pode esconder uma dor profunda.
Precisamos nos perguntar: “como você está?” e, principalmente, estar dispostos a ouvir a resposta. Valorizar a vida significa cuidar do próximo, estender a mão, oferecer apoio e mostrar que pedir ajuda é possível. Às vezes, tudo o que alguém precisa para seguir em frente é saber que alguém se importa, que sua dor é reconhecida e que não precisa enfrentar tudo sozinho. Para mim, valorizar a vida é estar presente, acolher sem julgamentos e nunca perder a esperança de que dias melhores virão.
















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