Reunião do CONSEG debate impactos do alcoolismo entre indígenas em Campinápolis
Autoridades, lideranças e comunidade buscam soluções conjuntas para problemas de convivência e segurança na praça central do município.
Por: Adailson Pereira
O Conselho Comunitário de Segurança Pública (CONSEG) realizou, na noite desta quarta-feira (8), uma reunião em Campinápolis (a 545 km de Cuiabá) para discutir demandas que têm gerado preocupação entre os moradores. O encontro aconteceu às 19h, no prédio da Câmara Municipal, reunindo lideranças locais, representantes de instituições públicas, forças de segurança e membros da comunidade.
A principal pauta foi a presença frequente de indígenas em estado de embriaguez na praça central da cidade. Segundo relatos apresentados durante a reunião, a situação tem causado transtornos à população e levantado questionamentos sobre segurança e convivência no espaço público.
De acordo com a organização, o objetivo do encontro foi promover um diálogo aberto entre os diversos setores envolvidos, buscando alternativas eficazes e respeitosas. A proposta é construir soluções conjuntas que considerem tanto as necessidades da comunidade quanto as questões sociais enfrentadas pela população indígena.
A psicóloga do CAPS, Eloisa Formiga, destacou a importância do atendimento especializado no enfrentamento da dependência química. Segundo ela, o Centro de Atenção Psicossocial conta com uma equipe multidisciplinar preparada para acolher tanto a população indígena quanto qualquer pessoa que necessite de tratamento. “A ideia da reunião foi pensar possibilidades reais e objetivas para colocar em prática um planejamento que traga resolutividade ao problema”, afirmou.
O prefeito Jeovan Faria ressaltou a gravidade da situação, apontando que o problema tem se intensificado com o avanço do alcoolismo e de outras questões sociais. Ele destacou ainda que, em Campinápolis, cerca de 60% da população é indígena, o que amplia a complexidade do cenário. O gestor cobrou maior atuação do Governo Federal, especialmente por meio da Funai.
Já o vereador Pedro Paulo Sereparan, representante da etnia Xavante, afirmou ser contra o consumo de bebidas alcoólicas e alertou para as consequências do problema. “Muitos Xavantes já perderam a vida por conta disso. Precisamos encontrar uma solução”, disse.
O presidente da Operação Mato Grosso Pastoral Indígena da Diocese de Primavera do Leste e Paranatinga, Wanderlei, também enfatizou o impacto social do alcoolismo, lembrando casos de jovens que perderam a vida. “É um tema muito sério e triste, que precisa ser enfrentado com responsabilidade”, pontuou.
Na área da educação, o diretor de escola indígena Josué Nogueira defendeu ações preventivas voltadas às novas gerações. Ele sugeriu a ampliação de programas como o Proerd nas escolas indígenas e destacou aspectos culturais que influenciam o problema. “Muitas vezes, o álcool é usado como forma de escape. Precisamos cuidar dessa dor”, afirmou.
A presidente do CONSEG, Rosely, destacou que a reunião foi motivada por demandas da própria comunidade e reforçou a expectativa por resultados concretos. “Vamos buscar responsabilizar os órgãos competentes, principalmente a Funai, e dar mais tranquilidade à população”, declarou.
O subtenente da Polícia Militar e comandante local, Roberto, avaliou o encontro como produtivo e importante para a construção de soluções viáveis diante dos fatos registrados no município.
Como encaminhamento, o diretor de meio ambiente do CONSEG, Gerson, informou que será elaborado um documento solicitando apoio da Funai. Já o diretor de assuntos comunitários, Nacymar Caldas, destacou que as responsabilidades serão distribuídas entre os órgãos envolvidos para garantir ações efetivas.
O CONSEG reforçou a importância da participação popular e do diálogo contínuo como ferramentas essenciais para a construção de medidas equilibradas e duradouras, capazes de melhorar a segurança e a convivência em Campinápolis.

















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