No Dia Mundial da Água, iniciativa leva água potável a aldeias Xavante em Campinápolis e reforça direito básico nas comunidades indígenas

Parceria entre Instituto Alok e ONG Água é Vida beneficia mais de 3.500 indígenas em Mato Grosso e no Maranhão, destacando desafios históricos enfrentados pelas aldeias da região.

No Dia Mundial da Água, iniciativa leva água potável a aldeias Xavante em Campinápolis e reforça direito básico nas comunidades indígenas
Foto: Assessoria

Por: Adailson Pereira

 

No Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo (22), uma importante iniciativa volta os olhos para uma realidade ainda presente em diversas comunidades indígenas, o acesso limitado à água potável. Em Campinápolis (a 545 km de Cuiabá), onde estão localizadas diversas aldeias do povo Xavante, ações emergenciais vêm garantindo mais dignidade e saúde às famílias.

 

Por meio de uma parceria entre o programa Água de Beber, do Instituto Alok, e o projeto Água é Vida, sistemas emergenciais com filtros de nanotecnologia estão sendo instalados para assegurar água limpa e segura para o consumo. A iniciativa já beneficia mais de 3.500 indígenas das etnias Xavante e povos do Xingu, além de comunidades em São Luís (MA).

 

Apesar da riqueza cultural e da resistência histórica, muitas aldeias ainda dependem de fontes naturais, como rios e nascentes, que nem sempre oferecem água em condições adequadas para o consumo. Em períodos de estiagem ou contaminação, o problema se agrava, impactando diretamente a saúde das comunidades, sobretudo de crianças e idosos.

 

Para lideranças locais, a chegada dos sistemas de filtragem representa uma mudança concreta no cotidiano. O cacique da aldeia São Miguel, Reinaldo Tsiwamo, destacou a importância da ação para as futuras gerações. “Eu já estou vendo o futuro dos meus filhos, das minhas filhas e dos meus netos com essa água potável”, afirmou.

 

Já o diretor da Escola Estadual Indígena Luiz Rudzane Edi Orebewe, Josué Rodrigues Nogueira Júnior, ressaltou o contraste entre a realidade urbana e a vivida nas aldeias. “A gente que cresce em uma cidade grande com bicas, torneiras, chuveiro, a gente não consegue imaginar como é não ter água”, pontuou.

 

A iniciativa conta ainda com apoio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) Xavante, Xingu e Maranhão, além de instituições parceiras como a campanha internacional Team Water, a organização WaterAid e a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O suporte logístico envolve a Força Aérea Brasileira, o Comando Militar da Amazônia e empresas parceiras.

 

Embora a ação represente um avanço significativo, os organizadores reforçam que se trata de uma solução emergencial. O desafio maior continua sendo a implementação de políticas públicas estruturantes que garantam, de forma permanente, o acesso à água de qualidade nas aldeias.

 

Criado em 2024, o programa Água de Beber já projeta ampliar seu alcance e beneficiar cerca de 40 mil pessoas até o fim de 2026, incluindo comunidades indígenas e regiões vulneráveis do país.

 

Mais do que uma ação pontual, a iniciativa evidencia a urgência de garantir um direito fundamental: o acesso à água potável, indispensável para a vida, a saúde e a preservação cultural de povos como os Xavante em Campinápolis.