Audiência pública debate fortalecimento da agricultura familiar indígena em Campinápolis
Encontro promovido pelo Ministério Público reuniu autoridades e produtores para discutir políticas públicas e soluções para o setor.
Por: Adailson Pereira
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso realizou, na tarde desta quarta-feira (11), o segundo e último dia da audiência pública voltada à agricultura familiar com foco nos povos indígenas. O debate ocorreu na feira coberta de Campinápolis (a 545 km de Cuiabá) e reuniu dezenas de participantes, entre produtores, lideranças, autoridades e representantes de órgãos municipais, estaduais e federais, além de delegações de diversos municípios mato-grossenses.
O objetivo do encontro foi discutir e fortalecer políticas públicas destinadas à agricultura familiar, contemplando produtores indígenas e não indígenas, além de ouvir demandas e propor soluções conjuntas para o desenvolvimento do setor.
O gestor territorial da Empaer, Camilo Sávio, destacou a importância da atuação integrada entre instituições. Segundo ele, “essas parcerias entre os órgãos, entidades públicas, tanto nas esfera municipal, estadual e federal, ela é muito importante e essencial para que esses programas venham ser concretizados, porque, por exemplo, a Empaer sozinha, ela tem as suas limitações, a Conab sozinha, tem suas limitações, todas essas entidades sozinhas, tem o seu papel, agora unindo todas elas, a gente vai conseguir encontrar um caminho muito mais curto e muito mais proveitoso para que essas atividades e políticas públicas sejam implantadas na comunidade que necessitam delas”.
A coordenadora do grupo de pesquisa e extensão Genesis da UFMT/CUA, Rosaline Rocha Lunardi, ressaltou ações específicas voltadas ao povo Xavante. “O nosso projeto de Agricultura Familiar é para a população Xavante que visa a promoção da soberania e segurança alimentar nutricional da etnia Xavante. Um projeto grande e financiado pelo Ministério da Agricultura, com iniciativa do ministro Carlos Fávaro, com isso, a gente tem feito desenvolvimento de várias ações dentro do território Xavante, desta forma, reduzir a desnutrição e a mortalidade por mortes evitáveis”, afirmou.
Já a extensionista rural da Empaer de Barra do Garças, Carla Sales, explicou que a audiência foi pensada para escutar quem está na ponta da produção. “Tivemos a ideia dessa audiência pública para ouvir as dificuldades dos pequenos produtores, tanto do não indígena, quanto do indígena, porque existem grandes dificuldades de logística, uma vez que o assentamento é distante, muitos não conhecem as políticas públicas que o governo que os governos oferecem. Essa audiência é uma maneira que os nossos parceiros encontraram para sentar e ouvir essas demandas e tentar procurar uma solução para que a agricultura familiar desenvolva no município”.
Representando a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), o assessor Josenilton Xavier enfatizou a necessidade de profissionais preparados dentro das próprias comunidades. “Em relação à questão dos povos indígenas é que tenham profissionais técnico que sejam da própria comunidade e entenda da cultura, que conheça a realidade local, conheça as aldeias e faça parte do território. Isso é uma preocupação do Governo Federal para que essas políticas públicas possam chegar até essas comunidades”, disse.
O vice-prefeito de Campinápolis, Eurides Silvestre, destacou o compromisso da gestão municipal com o setor produtivo. “Assumimos a prefeitura a um ano e estamos organizando um monte de coisa e colocando tudo no eixo. Juntamente com essa equipe maravilhosa e responsável que veio trazer essa ajuda, a gente vai trabalhar buscando novas medidas, novas fontes de mecanismo, de maquinários, buscando recursos necessários para atender os produtores não indígenas e indígenas”.
Para a coordenadora do centro educacional de educação especializada de Campinápolis, Marilene Correa, o evento trouxe orientações práticas. “Tivemos muitas informações, acessos importantes de como pesquisar, buscar apoio, financiamento, aonde vender os nossos produtos, nossas cooperativas. Foi muito importante essa reunião com grande representação de todas as esferas presentes e dizer que estamos satisfeitos e agora é colocar em prática”, avaliou.
A audiência pública foi realizada ao longo de dois dias, com debates voltados aos produtores não indígenas e indígenas, consolidando um espaço de diálogo coletivo para fortalecer a agricultura familiar no município e na região.

















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